Enquanto parte do país discute números de pesquisa eleitoral, o setor de construção civil está travando sua própria conta: R$ 132,5 bilhões em crédito pela poupança até agosto, um INCC que corre acima do IPCA e uma Selic de dois dígitos que pesa no bolso de quem financia um imóvel. O mercado imobiliário segundo turno 2026 não é sobre quem vai ganhar, é sobre o que acontece com juros, crédito e custo de obra depois do domingo 25 de outubro, independentemente do resultado nas urnas entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL).
Este artigo organiza os números que já estão na mesa, sem apostar em vencedores, para ajudar compradores, vendedores e incorporadoras a planejar os próximos meses.
Key Takeaways
- O segundo turno ocorre em 25 de outubro de 2026, disputado por Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), segundo o TSE.
- O crédito imobiliário via SBPE somou R$ 132,5 bilhões entre janeiro e agosto de 2026, alta de 37,5% sobre 2025, segundo a Abecip.
- O Minha Casa, Minha Vida representou 58% dos lançamentos residenciais no segundo trimestre e pode chegar a 3 milhões de unidades contratadas no mandato atual.
- O INCC acumula 6,61% em 12 meses, acima do IPCA (4,58%), pressionado pelo custo da mão de obra.
- A dívida pública próxima de 83% do PIB mantém o debate fiscal, e, por consequência, a trajetória dos juros, no centro das decisões imobiliárias de 2027.
Por Que o Segundo Turno Importa Para Quem Compra ou Vende Imóvel
O mercado imobiliário segundo turno 2026 concentra atenção porque decisões de política econômica tomadas logo após a eleição tendem a afetar diretamente três variáveis que movem o setor: a taxa Selic, o volume de crédito disponível e o ritmo de programas habitacionais como o Minha Casa, Minha Vida.
Com a Selic em 13,75% ao ano após o corte de setembro, o custo de financiamento ainda é alto para quem busca imóveis de médio e alto padrão fora de linhas subsidiadas. Qualquer sinalização sobre o rumo fiscal do próximo governo, seja qual for o vencedor, tende a repercutir rapidamente nas taxas de financiamento bancário e na confiança de incorporadoras para lançar novos empreendimentos.
“O fato de você ter um resultado bom em 2026 não garante 2027.”, Ana Maria Castelo, FGV
Essa frase resume o alerta central: os números positivos deste ano em crédito e lançamentos não são garantia de continuidade.
Os Números Que Sustentam o Momento Atual
Antes de olhar para frente, vale entender onde o setor está agora.
| Indicador | Valor 2026 | Observação |
|---|---|---|
| Selic | 13,75% a.a. | Após corte em setembro |
| INCC (12 meses) | 6,61% | Acima do IPCA (4,58%) |
| Custo de mão de obra (12 meses) | ~7% | Era 10% em 2025 |
| Crédito SBPE (jan-ago) | R$ 132,5 bi | Alta de 37,5% sobre 2025 |
| Imóveis financiados via SBPE | 384,6 mil | Dado Abecip |
| Participação MCMV nos lançamentos | 58% | 2º trimestre de 2026 |
| Dívida pública/PIB (projeção fim de 2026) | ~83% | Base para debate fiscal |
Fonte: Abecip, FGV, reportagem citada do Portas (22/10/2026).
A Abecip projeta mais de R$ 400 bilhões em crédito imobiliário somando todas as fontes em 2026, consolidando um ano de expansão de crédito mesmo com juros elevados. Isso se explica, em parte, pela força do Minha Casa, Minha Vida, financiado com recursos do FGTS e do Fundo do Pré-Sal.
Minha Casa, Minha Vida: O Motor que Pode ou Não Continuar no Mesmo Ritmo
Segundo a economista Ana Maria Castelo (FGV), o programa pode alcançar 3 milhões de unidades contratadas no mandato atual. Esse volume sustenta boa parte da atividade de construção civil no país, especialmente em um cenário de juros de mercado elevados que afastam famílias de faixas de renda média do crédito convencional.
Para o mercado imobiliário segundo turno 2026, a pergunta prática não é se o programa vai acabar, mas sim:
- Qual será o orçamento disponível para o FGTS e o Fundo do Pré-Sal em 2027.
- Se haverá ajuste nas faixas de renda ou nos subsídios.
- Como o eventual ajuste fiscal de 1,5% a 4% do PIB, mencionado por economistas, pode afetar recursos direcionados à habitação popular.
Esses três pontos dependem de decisões orçamentárias que só ficam mais claras depois da formação do novo governo, qualquer que seja o resultado do segundo turno.
Selic, Crédito e o Peso do Ajuste Fiscal
A combinação de Selic em 13,75% com uma dívida pública caminhando para 83% do PIB no fim de 2026 cria um pano de fundo delicado. Economistas citados apontam a necessidade de um ajuste fiscal entre 1,5% e 4% do PIB nos próximos anos, um intervalo amplo, que reflete incerteza real sobre o tamanho do esforço necessário.
Para o setor imobiliário, esse ajuste importa porque:
- Juros mais altos por mais tempo encarecem financiamentos fora de programas subsidiados.
- Um ajuste fiscal crível pode, no médio prazo, abrir espaço para cortes de Selic mais consistentes.
- A falta de ajuste tende a manter prêmios de risco altos, afetando o crédito para médio e alto padrão.
Esse é o tipo de variável que nenhum resultado eleitoral resolve sozinho, depende da execução da política econômica ao longo de 2027.
INCC em Alta: Construir Está Mais Caro, Independentemente da Política
O INCC acumulado de 6,61% em 12 meses, contra 4,58% do IPCA, mostra que o custo de construir cresce mais rápido que a inflação geral. O principal vilão é a mão de obra, com alta de cerca de 7% em 12 meses, ainda que desacelerando frente aos 10% registrados em 2025.
Uma resposta do setor tem sido a industrialização: cerca de 16% das obras no país já usam algum sistema construtivo industrializado, segundo a FGV. Essa tendência deve continuar crescendo em 2027, independentemente de quem vencer o segundo turno, como forma de conter custos diante da escassez e encarecimento de mão de obra qualificada.
Sinais de Alerta no Médio e Alto Padrão
Enquanto o segmento popular avança puxado pelo Minha Casa, Minha Vida, o médio e alto padrão mostra sinais mais delicados:
- Aumento do estoque de imóveis prontos sem vender.
- Crescimento dos distratos (cancelamentos de contratos de compra).
- Juros de mercado acima de dois dígitos, dificultando a tomada de financiamento fora de linhas subsidiadas.
Esses sinais merecem atenção redobrada de investidores e vendedores desse segmento, que dependem mais diretamente da trajetória da Selic do que das políticas habitacionais populares.
O Que Observar Depois do Segundo Turno, Sem Depender do Vencedor
Independentemente de quem assuma a presidência a partir de 2027, especialistas do setor recomendam acompanhar:
- Trajetória da Selic: decisões do Banco Central nas reuniões seguintes à posse.
- Execução orçamentária do FGTS e do Fundo do Pré-Sal: determina o fôlego do Minha Casa, Minha Vida.
- Sinalização de ajuste fiscal: tamanho e credibilidade do esforço anunciado.
- Evolução do INCC: impacto direto no preço final dos lançamentos.
- Comportamento do estoque e dos distratos: termômetro de saúde do médio e alto padrão.
Perguntas Frequentes
O segundo turno vai definir juros e crédito imobiliário em 2027? Não isoladamente. O resultado influencia o tom da política econômica, mas a trajetória de juros e crédito depende de decisões técnicas do Banco Central e da execução orçamentária ao longo do próximo ano.
O Minha Casa, Minha Vida corre risco de ser reduzido? Os dados atuais mostram forte expansão do programa, mas sua continuidade no mesmo ritmo depende de disponibilidade orçamentária do FGTS e do Fundo do Pré-Sal em 2027.
Vale a pena comprar imóvel antes ou depois do segundo turno? A decisão deve se basear em condições pessoais de financiamento e no valor real do imóvel, não em expectativas eleitorais. Uma avaliação técnica ajuda a decidir com mais segurança.
Por que o INCC subiu mais que o IPCA? Principalmente pelo custo da mão de obra, que cresceu cerca de 7% em 12 meses, refletindo escassez de profissionais qualificados no setor.
O aumento de distratos é um alerta geral do mercado? Está concentrado principalmente no médio e alto padrão, ligado a juros elevados, e não reflete necessariamente o desempenho do segmento popular, puxado pelo Minha Casa, Minha Vida.
Conclusão: Próximos Passos Antes de Decidir
O cenário do mercado imobiliário segundo turno 2026 mistura dados concretos, Selic em 13,75%, INCC em 6,61%, crédito recorde pela poupança, com incertezas legítimas sobre o rumo fiscal e habitacional de 2027. Nenhum resultado eleitoral elimina essas variáveis; elas vão continuar exigindo acompanhamento mês a mês.
Diante desse quadro, antes de comprar, vender ou simplesmente esperar, faz sentido buscar uma avaliação imobiliária independente e um laudo técnico profissional. Esses documentos ajudam a:
- Confirmar se o preço pedido ou oferecido reflete o valor real de mercado, considerando o custo de construção atualizado pelo INCC.
- Negociar com mais segurança em um cenário de juros altos e crédito seletivo.
- Tomar decisões baseadas em dados técnicos, e não em expectativas sobre o resultado eleitoral.
A Quadragon oferece avaliação e consultoria imobiliária para quem precisa de clareza antes de assinar qualquer contrato neste momento de transição política e econômica.
Meta Título: Mercado Imobiliário Segundo Turno 2026: Juros, Crédito e MCMV
Meta Descrição: Entenda o impacto do segundo turno de 2026 no mercado imobiliário: Selic a 13,75%, INCC a 6,61%, crédito recorde e o futuro do Minha Casa, Minha Vida.