Selic a 13,75% e crédito imobiliário em outubro de 2026: o que muda para quem compra, vende ou financia imóvel

Vinte e três por cento. Esse foi o salto do crédito imobiliário brasileiro no primeiro semestre de 2026, segundo a Abecip, mesmo com a Selic ainda em dois dígitos altos durante boa parte do período. O dado surpreende quem esperava um mercado travado pelos juros e ajuda a explicar por que o cenário de Selic 13,75% crédito imobiliário outubro 2026 virou tema obrigatório para quem pensa em comprar, vender ou financiar um imóvel nas próximas semanas.

O Comitê de Política Monetária (Copom) cortou a taxa básica de 14,00% para 13,75% ao ano em 16 de setembro de 2026, o quinto corte seguido, em decisão unânime. Agora o mercado se pergunta se esse foi o último movimento do ciclo de queda ou se ainda há espaço para mais alívio nos juros do financiamento imobiliário. Este artigo reúne os números oficiais mais recentes do Banco Central, do Boletim Focus e da Abecip para explicar o que essa pausa provável significa na prática, e por que a avaliação técnica do imóvel continua sendo o passo mais importante antes de qualquer assinatura de contrato.

Principais conclusões

  • O Copom reduziu a Selic para 13,75% ao ano em 16 de setembro de 2026, quinto corte consecutivo, sem sinalizar claramente os próximos passos.
  • A mediana do Boletim Focus aponta Selic estável em 13,75% até o fim de 2026, mas XP (13,25%) e Oby Capital (13,50%) projetam cortes adicionais.
  • O crédito imobiliário cresceu 23% no primeiro semestre de 2026 segundo a Abecip, somando R$ 180,9 bilhões e 680 mil imóveis financiados.
  • A captação da caderneta de poupança continua negativa, pressão que limita a oferta de recursos do SBPE no médio prazo.
  • Com juros ainda altos e mercado mais ativo, laudo de avaliação (NBR 14653) e vistoria técnica são essenciais para negociar preço e evitar riscos no financiamento.

O que decidiu o Copom em setembro e o que isso significa

O Banco Central confirmou, em 16 de setembro de 2026, o quinto corte consecutivo da Selic, levando a taxa de 14,00% para 13,75% ao ano. A decisão foi unânime entre os membros do Copom, segundo o comunicado oficial.

O texto manteve a projeção de que a inflação converge para a meta apenas no primeiro trimestre de 2028, um horizonte mais longo do que o habitual. Isso é importante: significa que o Banco Central ainda trata a inflação como um processo em andamento, não como um problema resolvido.

O comunicado também evitou dar qualquer indicação explícita sobre os próximos passos. O Copom adotou postura descrita como “dependente de dados”, ou seja, as decisões futuras vão depender de como a inflação e a atividade econômica se comportarem nas próximas semanas. A próxima reunião está marcada para novembro de 2026, já depois das eleições, um detalhe que aumenta a incerteza sobre o rumo da política monetária no curto prazo.

Por que a ausência de sinalização importa para o crédito imobiliário

Quando o Banco Central não indica claramente o próximo movimento, bancos e financeiras tendem a manter cautela na formatação de suas linhas de crédito. Isso reforça um cenário, com a Selic a 13,75%, marcado por estabilidade, mas não necessariamente por alívio imediato nas condições de financiamento.

Projeções do mercado: Focus, XP e Oby Capital divergem

As expectativas para o fim de 2026 não são unânimes. O Boletim Focus, pesquisa semanal do Banco Central com instituições financeiras, traz mediana de 13,75% para o fim do ano, ou seja, o mercado majoritariamente aposta em pausa no ciclo de cortes.

Já duas casas específicas divergem dessa mediana:

FonteProjeção Selic fim de 2026Cenário
Boletim Focus (mediana)13,75%Pausa no ciclo de cortes
XP13,25%Mais um corte de 0,50 ponto
Oby Capital13,50%Corte adicional de 0,25 ponto

Essa divergência mostra que, mesmo com o Copom em compasso de espera, parte do mercado financeiro ainda vê espaço para redução adicional da taxa básica ainda em 2026. Para quem está decidindo entre financiar agora ou esperar, isso significa acompanhar de perto os próximos indicadores de inflação e atividade, e não tomar decisões baseadas apenas em expectativas, mas em condições reais oferecidas pelos bancos no momento da contratação.

Crédito imobiliário bate recorde no primeiro semestre de 2026

Enquanto o debate sobre a Selic continua, os números do setor já mostram reação concreta. Segundo a Abecip, o crédito imobiliário total somou R$ 180,9 bilhões no primeiro semestre de 2026, alta de 23% em relação ao mesmo período de 2025, com 680 mil imóveis financiados.

Os financiamentos com recursos do SBPE (Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo) lideraram o crescimento: R$ 93,7 bilhões, alta de 29%, beneficiando 130 mil imóveis.

Dois segmentos chamam atenção dentro desse total:

  • Crédito para construção: R$ 26,5 bilhões no semestre, contra R$ 12,8 bilhões no mesmo período de 2025, crescimento de 107%, segundo a Abecip. Isso indica forte retomada de lançamentos e obras em andamento.
  • Aquisição de imóveis: R$ 67,2 bilhões, alta de 12%, sendo que 70% das unidades financiadas eram imóveis usados, um sinal de que o mercado secundário está mais ativo do que o de lançamentos na ponta de compra.

“O crescimento de 23% do crédito imobiliário reforça a resiliência do setor”, afirmou Michel Cury, presidente da Abecip.

A Abecip havia projetado inicialmente um crescimento de 16% para 2026 (cerca de R$ 375 bilhões no ano), mas o desempenho do primeiro semestre levou a entidade a anunciar revisão dessa estimativa.

O lado preocupante: poupança perde recursos

Nem tudo é crescimento linear. A captação líquida da caderneta de poupança foi negativa em R$ 31 bilhões no primeiro semestre de 2026, segundo a Abecip. Em cinco anos, a perda acumulada já soma R$ 273 bilhões, com o saldo total da poupança em R$ 764 bilhões.

Esse dado é relevante porque a poupança é a principal fonte de funding do SBPE, a linha mais usada para financiar imóveis residenciais com juros mais baixos. Menos dinheiro entrando na poupança pode, no médio prazo, pressionar a disponibilidade de recursos, mesmo com a Selic em trajetória de queda.

Caixa reabre múltiplos financiamentos via SBPE

Outro fator que ajuda a explicar o crescimento do crédito imobiliário é a mudança de regra da Caixa Econômica Federal. Desde dezembro de 2025, o banco voltou a permitir que um mesmo cliente contrate múltiplos financiamentos via SBPE, revertendo a restrição que estava em vigor desde novembro de 2024.

Essa reabertura seguiu novas regras do Banco Central que ampliaram a disponibilidade de recursos para o sistema. Na prática, investidores e famílias com mais de um imóvel financiado, ou que planejam adquirir um segundo imóvel, voltaram a ter essa porta aberta, o que ajuda a explicar parte do salto nos números da Abecip.

O que isso significa para quem vai comprar, vender ou financiar em outubro de 2026

Com a Selic em 13,75% e a expectativa de pausa reforçada pela mediana do Focus, o cenário do crédito imobiliário em outubro de 2026 traz sinais mistos, mas que podem ser lidos com clareza por quem entende os números.

Para quem compra com financiamento:

  • A taxa básica ainda é de dois dígitos altos, o que mantém o custo da parcela elevado em comparação a ciclos anteriores de juros mais baixos.
  • Cinco cortes consecutivos já aconteceram, e parte do mercado (XP, Oby Capital) ainda vê espaço para mais alívio, mas isso não é garantido e depende de dados futuros, conforme a própria postura do Copom.
  • Com mais recursos disponíveis no SBPE (alta de 29%, segundo a Abecip) e a Caixa permitindo múltiplos financiamentos, a oferta de crédito está mais acessível do que há um ano.

Para quem vende:

  • O fato de 70% das aquisições financiadas terem sido de imóveis usados (Abecip) mostra demanda ativa no mercado secundário, um bom momento para quem está avaliando vender, mas também um mercado onde o comprador está mais informado e mais disposto a negociar preço.
  • Avaliar o imóvel corretamente antes de colocar à venda evita tanto a superprecificação (que afasta compradores) e subprecificação (que gera perda de valor).

Para quem já tem financiamento em andamento:

  • A queda da Selic de 14,00% para 13,75% pode, dependendo do contrato e do indexador, refletir em revisões de taxa em financiamentos com taxas variáveis. Vale revisar o contrato e simular com o próprio banco.

Por que a avaliação imobiliária profissional é decisiva nesse momento

Em um cenário de juros ainda altos, mas crédito mais disponível, cada decisão de compra, venda ou renegociação ganha peso financeiro maior. É exatamente aqui que um laudo de avaliação técnico, elaborado conforme a norma NBR 14653 (a norma brasileira de avaliação de bens), se torna indispensável, e não apenas uma formalidade bancária.

Um laudo de avaliação bem feito permite:

  1. Confirmar o valor real de mercado do imóvel, evitando pagar mais do que ele vale ou vender por menos do que merece, especialmente em um mercado onde 70% das transações de aquisição envolvem imóveis usados (Abecip), cujos preços variam muito conforme estado de conservação e localização.
  2. Fundamentar a negociação com o vendedor ou comprador, com dados técnicos que sustentam a proposta de preço.
  3. Atender às exigências do banco no processo de financiamento, já que instituições financeiras costumam exigir avaliação própria ou aceitam laudos técnicos para liberar o crédito dentro do valor correto do imóvel.
  4. Identificar problemas estruturais ou documentais por meio da vistoria técnica, que complementa a avaliação e revela questões que não aparecem em uma simples visita informal, infiltrações, problemas na fundação, irregularidades no registro, entre outros.

Pular essa etapa, especialmente em um momento de crédito mais abundante e juros ainda pesando no orçamento, é um risco que pode custar caro: financiamento aprovado para um valor incorreto, compra de um imóvel com problema estrutural oculto, ou venda abaixo do valor justo de mercado.

Como a Quadragon pode ajudar

A Quadragon atua com consultoria e avaliação imobiliária em todo o Brasil, oferecendo laudos de avaliação conforme a NBR 14653 e vistorias técnicas detalhadas. Para quem está navegando o cenário da Selic a 13,75% e do crédito imobiliário em outubro de 2026, esse suporte técnico ajuda a:

  • Definir o preço justo de compra ou venda antes de qualquer proposta.
  • Preparar documentação técnica sólida para apresentar ao banco no processo de financiamento.
  • Evitar surpresas estruturais ou jurídicas depois da assinatura do contrato.
  • Negociar com mais segurança, usando dados concretos em vez de estimativas informais.

Perguntas frequentes

A Selic vai cair mais em 2026? A mediana do Boletim Focus projeta estabilidade em 13,75% até o fim do ano, mas XP (13,25%) e Oby Capital (13,50%) ainda veem espaço para novos cortes. A próxima decisão do Copom será em novembro de 2026.

Por que o Copom não deu sinalização sobre os próximos passos? O comunicado de 16 de setembro de 2026 adotou postura “dependente de dados”, significando que as próximas decisões dependerão da evolução da inflação e da atividade econômica, sem compromisso prévio com novos cortes ou pausas.

O crédito imobiliário está mais fácil de conseguir agora? Os dados da Abecip mostram crescimento de 23% no crédito imobiliário total no primeiro semestre de 2026, com alta de 29% nos recursos do SBPE. Além disso, a Caixa voltou a permitir múltiplos financiamentos via SBPE desde dezembro de 2025.

Por que a poupança perder recursos afeta o financiamento imobiliário? A poupança é a principal fonte de funding do SBPE. A captação líquida negativa de R$ 31 bilhões no semestre (Abecip) pode, no médio prazo, pressionar a disponibilidade de recursos para financiamentos com taxas mais acessíveis.

Vale a pena pedir uma avaliação profissional antes de financiar um imóvel? Sim. O laudo conforme NBR 14653 confirma o valor real do imóvel, apoia a negociação e costuma ser exigido ou aceito pelos bancos no processo de financiamento, reduzindo o risco de pagar acima do valor de mercado.

Quem deve priorizar a vistoria técnica: comprador ou vendedor? Ambos se beneficiam. O comprador identifica problemas estruturais antes de assinar contrato; o vendedor pode corrigir pendências antecipadamente e justificar o preço pedido com base técnica.

Conclusão

O corte da Selic para 13,75% em setembro de 2026 confirma uma trajetória de alívio monetário, mas a ausência de sinalização clara do Copom e a divergência entre Focus, XP e Oby Capital mostram que a cautela ainda é a palavra de ordem. Ao mesmo tempo, os números da Abecip revelam um mercado imobiliário em expansão real, com crédito crescendo 23% no primeiro semestre e a Caixa ampliando o acesso a múltiplos financiamentos.

Para quem vai comprar, vender ou financiar um imóvel em outubro de 2026, a combinação de juros ainda altos com crédito mais disponível exige decisões bem fundamentadas. Antes de assinar qualquer contrato ou solicitar financiamento, buscar um laudo de avaliação profissional conforme a NBR 14653 e uma vistoria técnica detalhada deixou de ser um diferencial, é uma etapa essencial de proteção financeira. A Quadragon está disponível para apoiar compradores, vendedores e investidores com essa análise técnica, trazendo segurança e dados concretos para a decisão mais importante do processo: o valor real do imóvel.